Espiritualidade, Baluarte e Devoções

Espiritualidade CCAF

Na contemporaneidade, especificamente no contexto do pós Concílio Vaticano II, há um consenso entre os teólogos católicos: a Igreja Católica esqueceu-se do Espírito Santo. Todavia no final do século XIX, uma freira católica, Elena Guerra, começou a convocar os católicos a retornarem ao Espírito Santo. O Retorno ao Cenáculo, grande sonho do coração da Beata Elena Guerra, Apóstola do Espírito Santo, significa voltar a espiritualidade fundante da Igreja que nascia sob o impulso do Espírito do Cristo Ressuscitado. Esse retorno é um convite a formar autênticos apóstolos a fim de que se viva o Amor Apaixonado de Jesus, fazendo com que Ele e o Espírito Santo sejam conhecidos e amados.

Essa é a principal influência da qual resultou um modo de viver a espiritualidade da CCAF, cujo o cerne se encontra na oração e no clamor ao Espirito Santo. São diversas as marcas da espiritualidade carismática, assim como: a comunhão dos carismas, efusão do Espirito Santo, Avivamento e Renovação. A espiritualidade mariana, por meio de Nossa Senhora –Que seja mais esse dia, um novo louvor a Maria! – também é marca da vida da CCAF, que lhe dá as características do acolhimento, da disponibilidade ao sacrifício e da docilidade à vontade de Deus.

Como a beata Elena Guerra, devemos fazer de tudo para que a  Igreja seja um Cenáculo Universal e para lá conduzir às almas que queiram viver sua vida nova no Espírito.

Baluarte

Beata Elena Guerra

Elena Guerra nasceu em Lucca (Itália), no dia 23 de Junho de 1835. Viveu e cresceu em um clima familiar profundamente religioso. Durante uma longa enfermidade, se dedica à meditação da Palavra de Deus e ao estudo dos Padres da Igreja, o que determina a orientação de sua vida interior e de seu apostolado; primeiro na Associação das Amigas Espirituais, idealizada por ela mesma para promover entre as jovens a amizade em seu sentido cristão, e depois nas Filhas de Maria.

Em Abril de 1870, Elena participa de uma peregrinação pascal em Roma juntamente com seu pai, Antônio. Entre outros momentos marcantes, a visita às Catacumbas dos Mártires confirma nela o desejo pela vida consagrada. Em 24 de Abril, assiste na Basílica de São Pedro a terceira sessão conciliar do Vaticano I, na qual vinha aprovada a Constituição “Dei Filius” sobre a Fé. A visita ao Papa Pio IX a comove de tal maneira que depois de algumas semanas, já em Lucca, no dia 23 de Junho, faz a oferta de toda a sua vida pelo Papa.

No ano de 1871, depois de uma grande noite escura, seguida de graças místicas particulares, Elena com um grupo de Amigas Espirituais e Filhas de Maria, dá início a uma nova experiência de vida religiosa comunitária, que em 1882 culminará na fundação da Congregação das Irmãs de Santa Zita, dedicada a educação cultural e religiosa da juventude. É neste período que Santa Gemma Galgani se tornará “sua aluna predileta”.

Em 1886, Elena sente o primeiro apelo interior a trabalhar de alguma forma para divulgar a Devoção ao Espírito Santo na Igreja. Para isto, escreve secretamente muitas vezes ao Papa Leão XIII, exortando-o a convidar “os cristãos modernos” a redescobrirem a vida segundo o Espírito; e o Papa, amavelmente solicitado pela mística de Lucca, dirige à toda Igreja alguns documentos, que são como uma introdução à vida segundo o Espírito e que podem ser considerados também como o início do “retorno ao Espírito Santo” dos tempos atuais: A breve “Provida Matris Charitate” de 1895; a Encíclica “Divinum Illud Munus” em 1897 e a carta aos bispos “Ad fovendum in christiano populo”, de 1902.

Em Outubro de 1897, Elena é recebida em audiência por Leão XIII, que a encoraja a prosseguir o apostolado pela causa do Espírito Santo e autoriza também a sua Congregação a mudar de nome, para melhor qualificar o carisma próprio na Igreja: Oblatas do Espírito Santo.

Para Elena, a exortação do Papa é uma ordem, e se dedica ainda com maior empenho à causa do Espírito Santo, aprofundando assim, para si e para os outros, o verdadeiro sentido do “retorno ao Espírito Santo”: Será este o mandato da sua Congregação ao mundo.

Elena, em suas meditações com a Palavra de Deus, é profundamente impressionada e comovida por tudo o que acontece no Cenáculo histórico da Igreja Nascente: Ali, Jesus se oferece como vítima a Deus para a salvação dos homens; ali institui o Sacramento de Amor, a Eucaristia; ali, aparece aos seus discípulos depois da ressurreição e ali, enfim, manda de junto do Pai o Espírito Santo sobre a Igreja Nascente.

A Igreja é chamada a realizar os Mistérios do Cenáculo, Mistérios permanentes, e, portanto, o Mistério Pascal: A Igreja é, por isto, prolongamento do Cenáculo, e, analogamente, é ela mesma como um Cenáculo Espiritual Permanente.

É neste Cenáculo do Mistério Pascal, no qual o Senhor Ressuscitado reúne a comunidade sacerdotal real e profética, que também nós, e cada fiel em particular, fomos inseridos pelo Espírito mediante o Batismo e a Crisma, e capacitados a participar da Eucaristia, que é uma assembleia de confirmados, e, portanto, semelhante a primeira comunidade do Cenáculo depois da descida do Espírito Santo. É nesta prospectiva que Elena Guerra concebe e inicia o “Cenáculo Universal” como movimento de oração ao Espírito Santo.

Elena morreu no dia 11 de Abril de 1914, sábado santo, com o grande desejo no coração de ver “os cristãos modernos” tomando consciência da presença e da ação do Espírito Santo em suas vidas, condição indispensável para um verdadeiro “renovamento da face da terra”.

Elevada à honra dos altares em 26 de Abril de 1959, justamente o Papa a definiu “Apóstola do Espírito Santo dos tempos modernos”, assim como Santa Maria Madalena foi a apóstola da Ressurreição e Santa Margarida Maria Alacoque a apóstola do Sagrado Coração.

O carisma profético da Beata Elena Guerra é ainda atual, visto que a única necessidade da Igreja e do Mundo é a renovação contínua de um perene e “Novo Pentecostes” que por fim “renove a face da terra”.

Devoções

Santo Afonso Maria de Ligório

Afonso Maria de Ligório nasceu em Nápoles, na Itália, em 1696, numa nobre família que, ao saber das qualidades do menino prodígio, proporcionaram-lhe o caminho dos estudos a fim de levá-lo à fama.

Com 16 anos, doutorou-se em Direito Civil e Eclesiástico, e já se destacava em sua posição social quando se deparou, involuntariamente, sustentando uma falsidade. Isso levou Afonso a profundas reflexões, a ponto de passar três dias seguidos em frente ao crucifixo. Escolhendo a renúncia profissional, a herança e títulos de nobreza, Santo Afonso acolheu sua via vocacional, já que o Senhor o queria advogando as causas do Cristo.

Santo Afonso Maria de Ligório colocou todos os seus dons a serviço do Reino dos Céus, por isso, como sacerdote, desenvolveu várias missões entre os mendigos da periferia de Nápoles e camponeses; isso até contagiar vários e fundar a Congregação do Santíssimo Redentor, ou Redentoristas. Depois de percorrer várias cidades e vilas do sul da Itália convertendo pecadores, reformando costumes e santificando as famílias, Santo Afonso de Ligório, com 60 anos, foi eleito bispo, e assim pastoreou, com prudência e santidade, o povo de Deus, mesmo com a realidade de ter perdido a amizade do Papa e sido expulso de sua fundação.

Entrou no Céu com 91 anos, depois de deixar vários escritos sobre a Doutrina Moral, sobre a devoção ao Santíssimo Sacramento e a respeito da Mãe de Deus, sendo o mais conhecido: “As Glórias de Maria”.

São Bento

Abade vem de “Abbá”, que significa pai, e isso São Bento bem soube ser do monaquismo ocidental. São Bento nasceu em Núrcia, próximo de Roma, em 480, numa nobre família que o enviou para estudar na Cidade Eterna, no período de decadência do Império.

Diante da decadência – também moral e espiritual –, o jovem Bento abandonou todos os projetos humanos para se retirar nas montanhas da Úmbria, onde dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade. Depois de três anos numa retirada gruta, passou a atrair outros que se tornaram discípulos de Cristo pelos passos traçados por ele, que buscou, nas Regras de São Pacômio e de São Basílio, uma maneira ocidental e romana de vida monástica. Foi assim que nasceu o famoso mosteiro de Monte Cassino.

A Regra Beneditina, devido a sua eficácia de inspiração que formava cristãos santos por meio do seguimento dos ensinamentos de Jesus e da prática dos Mandamentos e conselhos evangélicos, logo encantou e dominou a Europa, principalmente com a máxima “Ora et labora”. Para São Bento, a vida comunitária facilitaria a vivência da Regra, pois dela depende o total equilíbrio psicológico; desta maneira, os inúmeros mosteiros, que enriqueceram o Cristianismo no Ocidente, tornaram-se faróis de evangelização, ciência, escolas de agricultura, entre outras, isso até mesmo depois de São Bento ter entrado no céu com 67 anos.

São Luís Maria Grignion de Monfort

Nascido na França, no ano de 1673, de uma família muito numerosa, ele sentiu bem cedo o desejo de seguir o sacerdócio e, assim, percorreu o caminho dos estudos.

Como padre, São Luís começou a comunicar o Santo Evangelho e a levar o povo, por meio de suas missões populares, a viver Jesus pela intercessão e conhecimento de Maria. Foi grande pregador, homem de oração, amante da Santa Cruz, dos doentes e pobres; como bom escravo da Virgem Santíssima não foi egoísta e fez de tudo para ensinar a todos o caminho mais rápido, fácil e fascinante de unir-se perfeitamente a Jesus, que consistia na consagração total e liberal à Santa Maria.

São Luís já era um homem que praticava sacrifícios pela salvação das almas, e sua maior penitência foi aceitar as diversas perseguições que o próprio Maligno derramou sobre ele; tanto era assim que foi à Roma para pedir ao Papa permissão para sair da França, mas esse não lhe concedeu tal pedido. Na força do Espírito e auxiliado pela Mãe de Deus, que nunca o abandonara, São Luís evangelizou e combateu na França os jansenistas, os quais estavam afastando os fiéis dos sacramentos e da misericórdia do Senhor.

São Luís, que morreu em 1716, foi quem escreveu o “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem”, que influencia ainda hoje, muitos filhos de Maria. Influenciou, inclusive, o saudoso Papa João Paulo II que, por viver o que São Luís nos partilhou, adotou como lema o Totus Tuus, Mariae, isto é, “Sou todo teu, ó Maria”.

Gemma Galgani

Santa Gemma Galgani (1878-1903) nasceu em Lucca, um vilarejo italiano e desde criança manifestou grande desejo pela oração graças a sua mãe. Esta morreu muito cedo de tuberculose e o pai de Gemma deixou a pequena aos cuidados do semi-internato das Irmãs de Santa Zita.

Aos 9 anos recebeu a primeira comunhão.

Santa Gemma viveu varios infortunios em sua vida, como questões de falencia financeira após o falecimento de seu pai, e paralisia decorrente a miningite. Foi neste momento que se apegou a São Gabriel Possenti de Nossa Senhora das Dores (na época Venerável) e passou vê-lo todas as noites perto de sua cama.Este lhe pediu de fazer uma novena em honra ao Santíssimo Coração de Jesus para alcançar a cura. Ao final dos nove dias Gemma estava de pé para a alegria e espanto de todos.

Gemma cultivava em seu coração a ideia de entregar-se a vida religiosa, todavia o Senhor lhe reservava outros planos. Recebeu em seu corpo as marcas do Senhor

Viveu experiencias muito ricas com seu Anjo da Guada e grandes momentos de entrega ao Senhor. Também viveu momentos de intensa aridez espiritual com ataques do próprio demônio. Ele tentava convencê-la de que Deus a havia abandonado e como não obtinha sucesso por vezes a atacava fisicamente. Testemunhas diziam que ela recebia golpes e que o demônio lhe aparecia em forma de bestas que a atacavam de forma feroz.

Seu corpo se fragilizava mais e mais até no dia 11 de abril 1903 já sem forças pediu o viático, proferiu o seguinte frase:

Eu não procuro mais nada; sacrifiquei tudo e todos a Deus; agora eu me preparo para morrer”. Agora é mesmo verdade que não me resta mais nada, Jesus. Eu recomendo a minha pobre alma a Ti… Jesus!”

Gema sorriu e pendeu a cabeça para o lado dando seu último suspiro. Ela tinha 25 anos.

No dia 14 de maio de 1933, o papa Pio XI procede à beatificação da jovem heroína. Finalmente, no dia 2 de maio de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, o papa Pio XII canoniza aquela que será a primeira santa do século XX.

Santa Brígida

Ao casar-se com Wulfon, Santa Brígida assumiu, com orações e sacrifícios, a missão de lutar pela conversão de seu esposo, um homem entregue aos vícios e paixões desregradas. Santa Brígida alcançou essa graça. E, juntamente com seu esposo (agora convertido) numa vida com muitas práticas de piedade, foram a diversas peregrinações, até que aos 32 anos Wulfon veio a falecer.

Nasceu na Suécia, no ano de 1302. Ela foi entregue em casamento a um jovem chamado Wulfon, príncipe de Nerícia.

Agora viúva e mãe de 8 filhos, Santa Brígida dedicou-se inteiramente ao serviço dos mais necessitados, cuidando dos enfermos (dentro de um hospital fundado por ela mesma e por seu esposo). E tudo isso sem perder de vista a formação cristã de seus filhos.

Devota do Sagrado Coração de Jesus e da Santíssima Virgem, Santa Brígida passava horas em adoração a Jesus Sacramentado. Inspirada pelo Espírito Santo, fundou uma Ordem feminina e outra masculina. Consagrou-se na vida religiosa e, em meio aos sofrimentos e inspirações reveladoras do próprio Jesus, aprofundou-se no mistério do Cristo crucificado, até que mergulhasse definitivamente neste mistério, quando em Roma, aos 71 anos, entrou na eternidade.

Santa Veronica Giuliani

Santa Verônica Giuliani nasceu com o nome de Úrsula em 27 de dezembro de 1660, em comuna de Mercatello, na Itália. 

Aos sete anos de idade, perde a sua mãe e o pai muda-se para Piacenza. Nesta cidade, Úrsula sente crescer em si o desejo de dedicar a vida a Cristo. O chamado se faz sempre mais presente, tanto que, aos 17 anos, entra na restrita clausura do mosteiro das Clarissas Capuchinhas da cidade de Castello, onde permanecerá por toda a sua vida. Lá, recebe o nome de Verônica, que significa “verdadeira imagem”, e, de fato, ela se torna uma verdadeira imagem de Cristo Crucificado.

Um ano depois, emite a solene profissão religiosa: inicia um caminho de configuração a Cristo, por meio de muitas penitências, grandes sofrimentos e algumas experiências místicas ligadas à Paixão de Jesus: a coroação de espinhos, o casamento místico, a ferida no coração e os estigmas. Em 1716, aos 56 anos, torna-se abadessa do mosteiro e será confirmada no cargo até a sua morte, em 1727, depois de uma dolorosíssima agonia de 33 dias que culminou numa profunda alegria, tanto que suas últimas palavras foram: “Encontrei o Amor, o Amor deixou-Se contemplar!” (Summarium Beatificationis, 115-120). No dia 9 de julho, deixa a morada terrena para encontrar-se com Deus. Tinha 67 anos, 50 deles vividos no mosteiro da cidade de Castello. É proclamada Santa em 26 de maio de 1839 pelo Papa Gregório XVI.

Santa Margarida Maria Alacoque

Deus suscitou este luzeiro, ou seja, portadora da luz, que é Cristo, num período em que na Igreja penetrava as trevas do Jansenismo (doutrina que pregava um rigorismo que esfriava o amor de muitos e afastava o povo dos sacramentos). O nome de Santa Margarida Maria Alacoque está intimamente ligado à fervorosa devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Nasceu na França em 1647, teve infância e adolescência provadas, sofridas. Órfã de pai e educada por Irmãs Clarissas, muito nova pegou uma estranha doença que só a deixou depois de fazer o voto à Santíssima Virgem.

Com a intercessão da Virgem Maria, foi curada e pôde ser formada na cultura e religião. Até que provada e preparada no cadinho da humilhação, começou a cultuar o Santíssimo Sacramento do Altar e diante do Coração Eucarístico começou a ter revelações divinas.

“Eis aqui o coração que tanto amou os homens, até se esgotar e consumir para testemunhar-lhe seu amor e, em troca, não recebe da maior parte senão ingratidões, friezas e desprezos”. As muitas mensagens insistiram num maior amor à Santíssima Eucaristia, à Comunhão reparadora nas primeiras sextas-feiras do mês e à Hora Santa em reparação da humanidade.

Incompreendida por vários, Margarida teve o apoio de um sacerdote, recebeu o reconhecimento do povo que podia agora deixar o medo e mergulhar no amor de Deus. Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus e o Papa Pio XII recomendou esta devoção que nos leva ao encontro do Coração Eucarístico de Jesus. Santa Margarida Maria Alacoque morreu em 1690 e foi canonizada pelo Papa Bento XV em 1920.

São Padre Pio

Este digníssimo seguidor de São Francisco de Assis nasceu no dia 25 de maio de 1887 em Pietrelcina (Itália). Seu nome verdadeiro era Francesco Forgione. Ainda criança era muito assíduo com as coisas de Deus, tendo uma inigualável admiração por Nossa Senhora e o seu Filho Jesus, os quais via constantemente devido à grande familiaridade. Ainda pequenino havia se tornado amigo do seu Anjo da Guarda, a quem recorria muitas vezes para auxiliá-lo no seu trajeto nos caminhos do Evangelho.

Conta a história que ele recomendava muitas vezes as pessoas a recorrerem ao seu Anjo da Guarda estreitando assim a intimidade dos fiéis para com aquele que viria a ser o primeiro sacerdote da história da Igreja a receber os estigmas do Cristo do Calvário. Com quinze anos de idade entrou no Noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos em Morcone, adotando o nome de “Frei Pio” e foi ordenado sacerdote em 10 de agosto de 1910 na Arquidiocese de Benevento. Após a ordenação, Padre Pio precisou ficar com sua família até 1916, por motivos de saúde e, em setembro desse mesmo ano, foi enviado para o convento de São Giovanni Rotondo, onde permaneceu até o dia de sua morte.

Abrasado pelo amor de Deus, marcado pelo sofrimento e profundamente imerso nas realidades sobrenaturais, Padre Pio recebeu os estigmas, sinais da Paixão de Jesus Cristo, em seu próprio corpo. Entregando-se inteiramente ao Ministério da Confissão, buscava por meio desse sacramento aliviar os sofrimentos atrozes do coração de seus fiéis e libertá-los das garras do demônio, conhecido por ele como “barba azul”.

Torturado, tentado e testado muitas vezes pelo maligno, esse grande santo sabia muito da sua astúcia no afã de desviar os filhos de Deus do caminho da fé.

Era madrugada do dia 23 de setembro de 1968, no seu quarto conventual com o terço entre os dedos repetindo o nome de Jesus e Maria, descansa em paz aquele que tinha abraçado a Cruz de Cristo, fazendo desta a ponte de ligação entre a terra e o céu.

Foi beatificado no dia 2 de maio de 1999 pelo Papa João Paulo II e canonizado no dia 16 de junho de 2002 também pelo saudoso Pontífice. Padre Pio dizia: “Ficarei na porta do Paraíso até o último dos meus filhos entrar!”

Beata Anna Catarina Emmerich

Anna Katharina Emmerick (ou Emmerich) nasceu em 8 de setembro de 1774 em Flandres, Westfalia, Alemanha Oriental, filha de uma pequena família de agricultores. Seus pais, Bernard Emmerich e Anne Hiller, eram camponeses pobres, mas muito devotos. Anne Catherine foi batizada na Igreja de São Tiago em Coesfeld. Quando criança, passou muito tempo como empregada doméstica e costureira até sua admissão na Ordem Agostiniana. Sempre foi uma criança muito piedosa que sofria de má saúde, mas que recebia visões e profecias; eram tão comuns que pensava que todas as crianças podiam ver o Menino Jesus e as almas do Purgatório. Ela foi capaz de diagnosticar doenças, recomendar curas e até ver os pecados de uma pessoa.

O convento foi fechado por ordem do governo em 1812, e Anne foi morar com uma pobre viúva. Sua saúde piorou e, ao invés de trabalhar como serviçal, em 1813 ela se tornou uma paciente. Suas visões e profecias aumentaram, e mais tarde naquele ano recebeu os estigmas com feridas nas mãos e nos pés, na cabeça a coroa dos espinhos e diversas cruzes no peito, além do dom da inédia, vivendo apenas da sagrada comunhão pelo resto da vida. Ela tentou esconder as feridas, mas a notícia vazou, e seu vigário geral instituiu uma investigação longa e detalhada; estava determinado de que era verdadeiro.

Em 1818, ficou livre dos estigmas. Em 1819, o governo abriu sua própria investigação. Ela foi presa, ameaçada, perseguida e mantida sob uma vigilância de 24 horas por dia. A comissão não encontrou nenhuma evidência, não conseguiu que Anne recontasse sua história, acabou por desistir e não publicou suas descobertas. Quando eles foram forçados a expor, eles declararam o incidente uma fraude, mas não conseguiram explicar por que pensavam assim, ou porque eles não tinham publicado suas descobertas mais cedo.

O poeta Clemens Brentano visitou Anne. Ela anunciou que tinha visto Brentano em uma visão, e que ele deveria fazer um registro escrito das revelações que ela recebeu. Ele anotou as mensagens, traduzindo do dialeto de Westfalia de Anne para alemão comum e pedindo que Anne confirmasse a versão de seus relatos. Em 1833, estes foram publicados como A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo de Acordo com as Meditações de Anne Catherine Emmerich. Logo após, em 1852, foi publicado A Vida da Santíssima Virgem Maria e três volumes de A Vida de Nosso Senhor de 1858 a 1880. Embora muitas dessas obras reveladoras lidem com a espiritualidade e as idéias, são ao mesmo tempo narrativas muito diretas e descrições de eventos, e também foram fonte de encorajamento para muitos fiéis.

Foi beatificada em 03 de outubro de 2004, pelo Papa João Paulo II

Nossa Senhora da Piedade

Nossa Senhora da Piedade é um Título e uma imagem da Virgem Maria inspirados na famosa “Pietá”, de Michelangelo e em Nossa Senhora das Dores. Trata-se de uma imagem que “fala” pela força da expressão artística. Na imagem, Nossa Senhora está com seu Filho Jesus morto nos braços. Remete a um momento muito específico de dor e sofrimento, logo após a morte de Jesus na cruz.

A imagem de Nossa Senhora da Piedade contém uma teologia profunda. Jesus, morto, recém descido da cruz, nos braços de sua mãe. Retrata o sacrifício de salvação feito por Jesus e Maria como corredentora, acompanhando seu filho até o fim. Retrata a dor da Mãe que, consciente de sua missão, oferece seu filho pela salvação da humanidade. Ela representa também a dor de milhões de mães que sofrem por seus filhos, vítimas de todo tipo de sofrimento

Sua festa acontece no dia 15 de setembro, um dia depois da festa da Exaltação da Santa Cruz.

São Miguel Arcanjo

As intervenções de São Miguel em favor do povo de Deus, no Antigo e no Novo Testamento, motivaram parte da Igreja, desde o princípio, uma especial veneração por esse arcanjo que ela sempre considerou e honrou com um culto especial, como guarda e protetor da família divina no seu peregrinar por este mundo até a casa do Pai. Em documentos oficiais dos Sumos Pontífices e de modo especial no culto litúrgico, Miguel é honrado como protetor e guarda da Igreja e como padroeiro dos agonizantes; também é ele quem leva as almas dos que deixam este mundo ao trono de Deus para o julgamento. A Igreja, de que ele é o protetor e guarda, a família divina, que somos nós, os cristãos, invocam-no como advogado de defesa na vida e na hora da morte.